Homem denuncia demora na transferência de pacientes no HRDM, em Garanhuns


Já não é mais novidade o descaso da saúde pública no Estado de Pernambuco, pacientes que precisam de tratamentos cirúrgicos passam por uma grande angústia e humilhação na espera da ficha de transferência, a qual dará ao paciente o alívio. 

O que acontece é que pacientes nestes quadros, são obrigados a esperar de 15 a 30 dias para então ser transferido a outra unidade hospitalar, onde passará pelo tratamento. E hoje (06.12), foi ao ar no Programa Combate da 87FM, um desabafo de um filho, que cansado de esperar pelo sistema público de saúde, e indignado com a situação interna do Hospital Regional Dom Moura em Garanhuns, decidiu colocar a boca no trombone. 

O apresentador Pereira Filho, dentro do quadro Dramas da Vida, contou a situação do HRDM, através de uma correspondência enviada ao Programa Combate, relatando a situação da unidade hospitalar. Abaixo, confira a correspondência e imagens enviadas pelo filho de um paciente que esperou cerca de 11 (onze) dias, a “ficha de transferência“.

Eu, José Maria da Silva, portador do CPF ***.***.***-57 e RG *.***.*** SDS/PE, venho através deste relato, trazer à tona a situação em que se encontra o Hospital Regional Dom Moura, situado neste município de Garanhuns.
   No dia 04 de outubro de 2016 deu entrada neste hospital o meu pai, Ademilson Pedro da Silva, por motivo de fratura na perna esquerda causada por um acidente de moto. Ao dar entrada, fomos informados de que seria necessário passar por uma cirurgia, e que a mesma não poderia ser realizada naquele hospital, pois a secretaria Estadual de saúde extinguiu os procedimentos cirúrgicos referentes a fraturas  no local, mantendo apenas as operações de apendicite, hérnia e vesícula. Informou ainda que teríamos que aguardar uma senha de transferência para outra cidade onde surgisse a primeira vaga, porém sem previsão de quando esta surgiria. A partir desse momento, meu pai ficou internado na emergência por aproximadamente uma hora. Nesse ambiente constata-se a presença de ar condicionado, camas hospitalares novas, e um espaço físico que mais parece um hospital particular. Após esse tempo ele foi transferido para a clínica cirúrgica do mesmo hospital, onde também fica a clínica médica, e nos deparamos com outra realidade, um verdadeiro descaso do Governo do Estados aos pacientes e acompanhantes: Camas enferrujadas, propiciando um grande risco de contaminação; poltronas para acompanhantes quebradas e rasgadas, além dos banheiros com as fechaduras das portas quebradas, sendo usados esparadrapos , atadura e até mesmo mangueiras de soro, para fechar as portas, como mostram as fotos. 
   Após ficar na fila de espera pela senha até o dia 15 de outubro (11 dias depois), e preocupados com a saúde do meu pai pelo fato de ele ser diabético , mesmo sem condições financeiras resolvemos fazer o procedimento cirúrgico particular em um hospital da cidade. Durante esse período que ficamos no hospital vimos muitos familiares com a angústia  da  falta de transferência, esta que pode durar de 15 a 30 dias. Todas essa espera para um procedimento cirúrgico que, segundo informações do próprio cirurgia da casa, é considerado simples na maioria dos casos.  Os familiares são obrigados a fazer a cirurgia paga em outro estabelecimento dependendo da gravidade do caso, aumentando ainda mais o faturamento dos hospitais particulares. Para aqueles que em nenhuma hipótese conseguem fazer o tratamento particular, resta fica no hospital estadual sem previsão de transferência para realizar uma cirurgia, e passar por esse transtorno essa angústia em uma fila de espera sem fim.
    Um dos médicos do local chegou a dizer que não entende o porquê do Estado de ter retirado os procedimentos cirúrgicos do hospital, já que este tem bloco cirúrgico equipado para os procedimentos, e os mesmos médicos que faziam as cirurgias antes permanecem trabalhando no hospital. São estes mesmos que fazem as cirurgias pagas em hospitais particulares do município. Disse ainda que o custo para o Estado é maior agora para transferir pacientes para outras unidades hospitalares do Estado do que quando se faziam os procedimentos aqui mesmo em Garanhuns.
   O que a sociedade clama ao Governo do Estado são explicações. Se existe na unidade toda estrutura necessária para as cirurgias, por que não fazê-las aqui? Observando todas as vertentes possíveis, notamos que de forma alguma o governo do Estado de Pernambuco poderia se furtar de realizar os procedimentos cirúrgicos no estabelecimento citado, uma vez que se faz provado que este tem total capacidade de atender a população.
Vale replicar o que diz o artigo. 196 da Carta Magna brasileira
“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.”.
Se ainda não satisfeitos com o disposto na CF/88, transcrevo o caput doart. 2° da lei 8080/90 (Lei do SUS):
“A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício.”.
Além disso, faz-se necessário a um ambiente hospitalar o mínimo de condições para servir a população. Fatos como os narrados aqui mostram o tamanho do descaso com a saúde pública como um todo. O cidadão procura o hospital para recuperar sua saúde, mas diante da falta de manutenção estrutural deste pode sair com mais doenças do que com as que se deu entrada, e isso é inadmissível. Um hospital que atende a tantas cidades do Agreste Meridional, a milhares de pessoas todos os meses, merece um pouco mais de respeito e cuidado.
     Como jurisprudência, trago parte do voto da desembargadora ÁUREA BRASIL, da 5ª Câmara Cível do TJ-MG, na decisão do Agravo de instrumento cv n°1.0481.13.015034-7/001 MG, que diz: “O direito à saúde, além de qualificar-se como direito fundamental que assiste a todas as pessoas , representa consequência constitucional indissociável do direito à vida.
  Diante do exposto, se pede a oitiva da Secretaria Estadual de Saúde para os devidos esclarecimentos, como também a solicitação das adequações estruturais que se fizeram necessárias para servir a população.
POR: (JOSÉ MARIA DA SILVA/ JONATHAN JUVÊNCIO)  









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